Conheci a banda muitos anos atrás com o meu “irmão” de brasilia, Daniel. Não dei muita bola, até porque ele gostava mais de rush e incognito na época. O disco foi “Before these crowded streets”.
Uns anos depois meu outro “irmão” (esse do rio) e parceiro de banda, o Kow me reapresentou esse CD. Eu acordava todos os dias com pantala naga pampa e rapunzel. Eram as melhores manhãs da minha vida. Nem dia chuvosos (se bem que sempre gostei desses) e colégio às 6 da manhã de uma segunda-feira “quebravam meu espirito”.
Eu não estava lá no Free Jazz, mas fui no Rock in Rio de 2001. Não curti muito do show porque não tocaram o que eu conhecia e o que eu era mais vidrado. Comprei lá mesmo o ao vivo listener supported, mas não tinha como ouvir no meio de 500.000 pessoas. Fiquei no beiço o show todo (porra, eu nem conhecia a versão deles de all along the watch tower). Enfim, foi bom, muito bom, mas eu não conhecia nada. Só fiquei arrebatado e ponto.
Voltei com uma missão: conhecer tudo da banda. Hoje eu conheço quase tudo (eles não param de lançar ao vivo) Ainda gosto do que eles lançam, e vou contra os fãs que dizem q depois de crash/before… não teve mais nada que valesse apena. (digo crash/before para não levantar polêmicas sobre o disco mais importante)
Vou no show do Rio, dia 30. Espero ser arrebatado.
Me senti muito mal quando abri meu leitor de RSS e vi a noticia da morte do Leroi. Sei vários solos dele de cor. Em um dos ao vivos (não sei nem a música que ele faz isso) ele ataca com uma nota só, num belísimo sutain, durante vários segundos (acho que passa um minuto, mas pode ser impressão). Todos do show gritam, berram, e o cara entra com uma nota só… um sustain só.. durante muito tempo… e aquilo é o ápice de um sentimento… traduzido por um instrumento….. repassado a todos que estão ali ouvindo. Ele era (é) muito foda.
eu só espero que quando morrer, São Pedro me diga na porta: “tem rolado umas jams com uns caras muito legais, e eles andaram vendo você tocar ao longo desses anos… pede pra te levarem no palco onde estão tocando o Kurt com o Jobim e o Leroi. Eles pediram pra avisar você”. PS: meu voto de baixista ainda é o kow, vulgo Pedro, pela harmonia que tinhamos tocando, pq baixo e batera ainda é a cozinha de qualquer som. como ele ainda está por aqui, nós vamos se econtrando quase nunca, mas tocando sempre como se o último ensaio tivesse sido ontem.
R.I.P, Leroi. Aprendi a muito tempo que os bons vão cedo. Nos esbarramos, fechado?
PS: muito comovente um blogeiro que escreveu sobre o fato trágico (ele e a banda se conheciam). Conta como foi esse papo de ser hospitalizado e ele mesmo se dar alta, contra a indicação médica, como foi o show do Dave, horas depois que eles souberam do ocorrido….. vale muito a pena dar uma lida.
http://lefsetz.com/wordpress/index.php/archives/2008/08/22/leroi/